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9.8.14

A voz do búzio / Hitória do Senhor Mar - La veu de la caragola / Història del Senyor del Mar poesia infantil portuguesa



Aquest dissabte volem navegar amb la poesia fins la veïna Portugal. Dos poemetes infantils, estiuencs i mariners, en portuguès. S'apropem la caragola a l'orella i escoltem con ressonen els versos i la música del mar. Us encantaran.

A voz do búzio

Eu trouxe da praia
Um búzio bonito
Que tem um segredo
Em que eu acredito.
Lá dentro escondido
Alguém a chamar…
Ponho-o ao ouvido
Escuto a voz do mar
O mar e o sol
E a praia inteira
Guardados num  búzio
Na minha algibeira.


História do Senhor Mar

Deixa contar
era uma vez
o senhor mar
com uma onda …
com muita onda…
E depois?
E depois …
Ondinha vai
Ondinha vem
Ondinha vai
Ondinha vem
E depois…
A menina adormeceu
nos braços de sua Mãe.

7.12.13

Natal de un pastorinho: versos para o Natal em português / Nadal d'un pastoret: versos en portuguès per a Nadal


Natal de um pastorinho
(Alexandre Parafita)

Pela serra acima
Vai o pastorinho.
Leva o seu bornal
Bem recheadinho!

Batendo os tamancos,
Lá vai p’la manhã,
Vestido de croça
E gorro de lã!

As ovelhas mansas
Seguem a seu lado,
P’ra lidar com elas
Não usa o cajado!

Fala-lhes mansinho:
“Meninas, correr!”
E elas tratam logo
De lhe obedecer!

Porém uma delas
Não aguentou mais,
Deitou-se p’ró lado
Ao pé duns giestais!

E logo o pequeno,
De tão perspicaz,
Deu p’la falta dela
E voltou atrás!

Andou meia légua,
Achou-a deitada:
Ia dar à luz
Não tardava nada!

E o pastorinho
Lá fez de parteiro,
Tomando nas mãos
Um lindo cordeiro!

Feliz a ovelha,
Feliz o pastor:
Que quadro tão belo
Para um bom pintor!

E p’ra festejar
Aquele Natal,
Lembrou-lhe o farnel,
Puxou do bornal!

Depois lá seguiram
De novo o caminho:
Ao colo do moço
Ia o cordeirinho!

E ao chegar a casa,
Lá pela tardinha,
Com mais um no rol…
O bom pastorinho
Inundou de encanto
Aquele pôr do sol!

La il·lustració és d'Antonio Boffa

5.7.13

Intimidad: poesía de José Saramago

Intimidad
(José Saramago)

En el corazón de la mina más secreta,
En el interior del fruto más distante,
En la vibración de la nota más discreta,
En la caracola espiral y resonante,

En la capa más densa de pintura,
En la vena que en el cuerpo más nos sonde,
En la palabra que diga más blandura,
En la raíz que más baje, más esconda,

En el silencio más hondo de esta pausa,
Donde la vida se hizo eternidad,
Busco tu mano y descifro la causa
De querer y no creer, final, intimidad.

La il·lustració és d'Alex Wijnen

26.3.12

As árvores e os livros / Los árboles y los libros / Els arbres i els llibres


Els arbres i els llibres, el llibres dels arbres, els arbres de llibres... comparar els arbres amb els llibres... un homenatge als llibres i als arbres.

As árvores e os livros
(Jorge Sousa Braga)

As árvores e os livros
As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras. 

8.2.12

Sorriso / Sonrisa: poesia de Rosa Lobato de Faria

El somriure... base de la felicitat, en grans i menuts (il. Benoît Morel)


O sorriso é uma chave
Que abre portas e janelas.
Entre muitas coisas mágicas
O sorriso é uma delas.

O sorriso é simpatia
Também pode ser amor.
O sorriso tem magia
Tem ternura e calor.

O sorriso dá carinho
O sorriso faz amigos.
Constrói tu, no teu caminho
Uma ponte de sorrisos.
*


La sonrisa

(Rosa Lobato de Faria)

La sonrisa es una llave
que abre puertas y ventanas.
Entre muchas cosas mágicas
la sonrisa es una de ellas.

La sonrisa es la simpatía
también puede ser el amor.
La sonrisa es la magia
tiene ternura y calor.

La sonrisa da cariño.
La sonrisa hace amigos.
Construye tu, en tu camino
un puente de sonrisas.

22.12.11

A Estrela Poinsétia: original poesia de Nadal de Leonardo B

El calor del Nadal s'assaboreix millor si es comparteix amb els amics, propers o llunyans sempre estan al nostre costat. L'amistat és compartir, des del més senzill a allò més gran, els somriures i les penes i també, com no, la poesia.

Leonardo B., amic i poeta, des de Portugal ens ha enviat aquesta bella història, A Estrela Poiensétia, narrada en vers. És un regal preciós, que ens ha sorprés amb molta il·lusió i, com sempre, compartim amb tots els lectors del blog. Moltes gràcies, Leonardo, que l'estrella de Nadal, amb la cua de la poesia, t'acompanye al llarg de 2012.

Un poema original, diferen, que amaga al seus versos tota la calor de l'espírit de Nadal:


A Estrela Poinsétia

Certa vez, eu e o meu crisofilo felino
Gato Sapato,
lendo na lua e nas suas velas
nascidas gradas, por fazenda do céu breu
ao abrigo da geada da noite menina,
confiámos ao anjo,
(daqueles que se vêm nos recortes de jornal!)
difícil pedido para uma noite de Natal:
do que sabíamos ler em segredo
dos ofícios desse sonhador profissional,
menino astro imaginador,
muitas eram as artes originais, prendas e mistérios
que podíamos encomendar
(um pião, um carro de linhas, um barco em formato de trovão),
mas destas, nenhuma,
destas não!
  
Esta noite, desta vez, nesta noite,
haveremos
nem que seja o vestígio
o pouco da flor perdida na nuvem
onde se plantou o mar,
e que no caminho de Pepita,
se fez ramo cor de fogo, a Poinsétia vulgar
a estrela vadia
que em forma de andor
no desajeitado lenho
se fez calor;
era a madrugada na noite menina,
o repique de sino no quente barro do céu,
nesse tecido rasgado por onde se vêem estrelas,
semelhantes ao chão molhado
por quente lágrima pequenina.


E por uma vez, que seja
certa vez
não quisemos incomodar o astro menino
com difícil pedido, rogo ou contrato:
apanhámos do chão,
a estrela-de-natal, hesitante,
tão breve e pálida, branca amarela
e nas mãos diamante.
Como que por desejo
meu e de meu dourado felídeo
Dom Gato Sapato,
esta noite é redobro do brilho
no campo da estrela, que luz
na luz da noite mais acanhada
e brilhante.

Leonardo B, Dezembro 19, 2011

[breve aparte: este texto, inédito, que foi sendo construído exclusivamente para o blog Poesia Infantil i Juvenil, fez referência à lenda Mexicana de Pepita e uma alusão aos versos de Vitorino Nemésio « Hoje é Natal. Comprei um anjo/ dos que anunciam no jornal».] 

Les il·lustracions són de Polina
  

31.10.11

O oficio, poesia d'Eugénio de Andrade


 L'ofici d'escriure (il·lustració de Frans Wesselman)

O Ofício
(Eugénio de Andrade)

Recomeço.
Não tenho outro ofício.

Entre o pólen subtil
e o bolor da palha,
recomeço.

Com a noite de perfil
a medir-me cada passo,

recomeço,
pedra sobre pedra,
a juntar palavras.

quero eu dizer:
ranho baba merda.

5.10.11

O astro de dentro: riquesa de sentiments i imaginació en els versos de Leonardo B

Podria haver-hi, en lloc de cor....(il·lustració de Dolores Pardo Vialola)

Hi ha un univers on tenim el nostre espai, però dins nostre tenim també tot un ric univers d'imaginació i sentiments que cal descobrir. De vegades busquem fora el que tenim dins i no se n'adonem. Els nostre amic poeta, Leonardo B, ens acaba de fer un regalasso impressionant: un poema, acabat de crear, que ens mostra tota aquesta riquesa que portem dins, en forma d'astre de llum i imaginació, i que cal alimentar a cop de vers per a no perdre mai, enriquint-se i enriquint-nos. Gràcies Leonardo.

O Astro de Dentro
(Leonardo B)

                                                        Para Catarina Gonçalves, com amizade e admiração



Podia haver
[no lugar do coração]
um oceano, seis continentes, um avião
um astro azul ou um cometa envidraçado
uma pedra vinda do espaço
um quadrado ou mesmo um rectângulo arredondado,
podia ter
e nem teria terminado.

Até podia ter
[no lugar do coração]
um livro em branco, já escrito ou por escrever
um projecto de mundo, um traço
por nascente de rio ou mesmo um monte inacabado
um lápis, um bocado de giz ou um poema
que se escreve só por escrever,
que ainda assim,
ali, além, pelos jeitos dum fogo lento
no grande mar, peito adentro
ele, o astro refeito que comigo trago
continuaria sempre a bater.

Leonardo B, Setembro 28, 2011

12.9.11

Quando as crianças brincam: poesia de Fernando Pessoa


Quando as crianças brincam 

Quando as crianças brincam
e eu as oiço brincar,
qualquer coisa em minha alma
começa a se alegrar.

E toda aquela infância
que não tive me vem,
numa onda de alegria
que não foi de ninguém.

Se quem fui é enigma,
e quem serei visão,
quem sou ao menos sinta
isto no coração.

La il·lustració és de Shinya Okayama.

26.8.11

Boa noite, poesia infantil del portuguès Sidónio Muralha






Bona nit, buenas noches, boa noite... és hora d'anar a dormir, els xiquets i les zebres (que ja tenen el pijama ficat).


Boa Noite

A zebra quis
ir passear
mas a infeliz
foi para a cama

— teve que se deitar
porque estava de pijama.

*
La cebra quiso
ir a pasear
mas la infeliz
fue para la cama

- tuvo que acostarse
porque estaba en pijama

Il·lustració de Dale Keys.

13.7.11

Podem mesurar els sentiments? Medidas: poesia infantil en portuguès

 Hui en dia sembla que tot ho podem medir, quantificar, ficar-ho en estadístiques... Tot? Us sembla que, malgrat els avanços científics i tecnològics, ho podem medir tot? Doncs... no! Com medir la quantitat justa de brisa que necessitem per trobar-se fresquets a la vora del mar, com medir la intensitat del dolor davant la mort d'una mascota, com baremar el plaer que se sent compartint una xerrada amb els amics, quina temperatura cal que fagi per a que la lluna no tinga fred... de mesures tracta el poema de l'escriptora portuguesa Luísa Ducla Soares. De mesures o "immesures" a ritme de poesia

Medidas
(Luísa Ducla Soares)

Que metro mede
una grande alegria?

Em que poço cabe
un profundo desgosto?

Como saber a temperatura
dum amor ardente?

A que altura
voa o pensamento?

La il·lustracaió és de Teresa Lima.

27.5.11

Chuva / Lluvia / Pluja: gotes amb poesia


Aquesta primavera sembla que el temps s'hagi tornat radical, extremista, un poc boig. Passem d'una calor estiuenca a una forta i torrencial pluja de tardor. Hui plou, plac, ploc, plim, plam,... com en el poema de Luisa Ducla Soares... cauen gotes de pluja i poesia. És la màgia de la primavera al blog.
Chuva
(Luisa Ducla Soares)

Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva, ploc, ploc
como um cavalo a galope.
Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.
Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.
Parte as flores, plim, plim
maça a gente, plim, plim
parece não ter mais fim.
La il·lustració és de Jessica Stride.

6.4.11

Girassol, Giralua: poesia infantil de Leonardo B., des de Portugal


Ens ha encantat  el poema que ens ha regalat Leonardo B, des de la veïna Portugal, sobre el gira-sol, una flor que alegra els camps amb el seu groc, quasi daurat, menejant-se al voltant de l'astre rei.. Un poema original e inèdit d'aquest gran poeta. Gràcies,  un mil·lió de gràcies, Leonardo, amb el teu permís ho comparteixo amb tots els lectors del blog. Creuant l'oceà viatgen aquests gira-sol poètics ficant flaires de primavera en els camps dels infants. Ens uneix la poesia, més enllà de les barreres geogràfiques, culturals i lingüístiques. Preciós!

Girassol, Giralua
(Leonardo B.)

Tenho um girassol que fala
Que gira e dança em torno do sol;
É como a trança que trago
Enlaçada no meu cabelo cor de mel:
- Quando o chamo, é palavra que afago.

Tenho um girassol que brinca
E corre e salta as pocinhas da água do mar;
É como o tesouro que trago
Comigo, a estrela pequena que arrumo ao deitar:
- Quando adormeço já tenho um luar,
E a estrela abrigo.

Tenho um girassol dentro de mim
Que gira e dança e fala de papo cheio;
É meu irmão, minha irmã do meio
O sol que gira pequeno:
- Tenho um girassol que trago comigo,
E comigo vai, comigo veio
Para qualquer lugar.

Tenho um girassol, que gira comigo
Mesmo ao luar!

(Março 2011, 5. Leonardo B.)


La il·lustració del post és de Simona Sanfilippo

1.11.10

Poema de novembre / Novembro poesia


Anem deixant caure les fulles del calendari i ja estem en Novembre, més de pluja i fred, de bolets i castanyes, i també de poesia. Ho fem de la mà del poeta João Manuel Ribeiro, que té un grapat de bons llibres de poesia infantil per a xiquets.

Novembro / Novembre

1 e 2, // 1 i 2
começa Novembro // comença novembre
com Santos e Defuntos // amb Sants i Difunts
juntos. // junts.

A 11, // A 11,
S. Martinho // S. Martí
junta as castanhas // junta les castanyes
com o vinho. // amb el vi.

A 23, // A 23,
S. Clemente // S. Clement
faz alçar a mão da fava // planteja la ma de fava
e da semente. // i de llavors

A 25, // A 25
Santa Catarina // Santa Catalina
um mês determina // un mes determina
até ao Natal. // cap a Nadal.

La il·lustració és de Mercedes de La Jara.

25.8.10

Agosto, poesia de João Manuel Ribeiro


No podem acabar agost sense un poema del sobre aquest mes. Ens ha agradat molt la poesia infantil del portuguès João Manuel Ribeiro, amb la il·lustració que per al poema ha realitzat Anabela Dias

Agosto

Uns dizem que sim:
- Se chove e troveja em Agosto,
muita será a uva e o mosto.

Outros não pensam assim:
- Se chove e troveja em Agosto,
o sol será pouco e muito o desgosto.

Uns dizem que não:
- Quem em Agosto ara
nem só riqueza prepara.

Outros pensam, em oposição:
- Toda a fruta tem o seu gosto
nos dias maduros de Agosto.

Uns fazem neste mês o seu posto:
- O sol é bom e dá pelo rosto
e se chove, chove mel e mosto.

Outros, em sentido oposto,
debulham e malham sem gosto:
- Malditos os (de)feitos de Agosto.

17.8.10

História do Senhor Mar: ones que bressolen per dormir amb poesia


Un poemeta preciós, de l'escritora portuguesa Matilde Rosa Araújo, per a dormir als xiquets i xiquetes a la voreta del mar.

História do Senhor Mar
Deixa contar...
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda...
Com muita onda...

E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe... 

La il·lustració és de Kirsti Wakelin.

5.3.10

I Festival Internacional de Poesia de Valencia




Hui comença el I Festival Internacional de Poesia de València, organitzat per Octubre Centre de Cultura Contemporània (OCCC) amb la voluntat de recuperar la tradició del recital i donar al públic l'oportunitat d'escoltar els poemes de la veu dels propis poetes. Aquest festival poètic coincideix amb la commemoració de centenari de la mort del poeta valencià Ausias March.

Poetes de totes les edats i de diferents estil. Recitaran en les seues pròpies llengües: Rosa Alice Branco (Portugal), Marc Granell (València), Saskia de Jong (Països Baixos), Felipe Juaristi (Gipuzkoa), Nikola Madzirov (Macedònia), Carlos Marzal (València), Jean Portante (Luxemburg), Ponç Pons (Menorca), Sussana Rafart (Ripoll) i Lars Söderberg (Suècia). Els poemes de Lars han estat traduïts al català i es regalaran als assistents en un llibret.

La idea dels organitzadors es donar-li continuïtat al festival i celebrar-ho anualment la primera setmana de març (el dia 3 d'aquest mes és la data de la mort d'Ausias March).

Quedeu tots invitats a participar!

Com que aquests dies estem celebrant amb poesia el Dia de la Dona volem aprofitar per a gaudir dels poemes de Rosa Alice Branco.

-->
Dos palabras para la noche
(Rosa Alice Branco)
Ahora soy el día. He ordenado las ropas
del último viaje, tu voz
en el cajón junto a la cama.
¿En qué lengua oigo las primeras vocales
de nuestro alfabeto, el olor de las sábanas
después de dormir? Viene despacio
por la calle estrecha donde se abre una flor
siempre que pasamos. Eres tú quien lo dice,
eres tú quien te abres cuando la flor. Cuando abres
el pan. El aceite en el plato y nuestros dedos
surcando los caminos de la boca y todo el cuerpo
camino uno del otro. También el vino.
El rojo de la noche. También la lengua.
Siento que la gastronomía y el amor
son dos palabras para la misma cosa.
No me acuses de plagio. ¿Cómo puedo
decir lo que todavía no has dicho?
*
Duas palavras para a noite
(Rosa Alice Branco)
Agora sou o dia. Arrumei as roupas
da última viagem, a tua voz
na gaveta junto à cama.
Em que língua ouço as primeiras vogais
do nosso alfabeto, o cheiro dos lençóis
depois do sono? Vem de mansinho
pela rua estreita onde uma flor abre
sempre que passamos. És tu que o dizes,
és tu que abres quando a flor. Quando abres
o pão. O azeite no prato e os nossos dedos
sulcando os caminhos da boca e todo o corpo
a caminho um do outro. Também o vinho.
O vermelho da noite. Também a língua.
Sinto que a gastronomia e o amor
sãos duas palavras para a mesma coisa.
Não me acuses de plágio. Como posso

dizer o que ainda não disseste?

La il·lustració és d'Aida Emart.

18.8.09

Poesia de Luís de Camões para todos



Un nou llibre de poesia, aquesta vegada d'un gran poeta portuguès i en portuguès: Poesia de Luís de Camões para todos. El llibre està editat per Porto Editoria, dins de la seua col·lecció Oficina dos sonhos-Clàssicos, i la selecció està feta per José António Gomes, amb unes molt bones il·lustracions de Ana Biscaia.
El llibre té l'objectiu d'apropar als xiquets a la lectura d'aquest gran poeta portuguès. Així, en els poemes s'actualitzen les grafies antigues, tot guardant la rima pertinent. Una molt bona obra que us recomanem.


CANTIGA

(Luis de Camoens)

A este moto
Descalça vai para a fonte
Leanor pela verdura;
vai fermosa e não segura.
*
VOLTAS
Leva na cabeça o pote,
o testo nas mãos de prata,
cinta de fina escarlata,
sainho de chamalote;
traz a vasquinha de cote,
mais branca que a neve pura;
vai fermosa, e não segura.
Descobre a touca a garganta,
cabelos d'ouro o trançado,
fita de cor d´encarnado,
tão linda que o mundo espanta;
chove nela graça tanta
que dá graça à fermosura;
vai fermosa, e não segura.




7.6.09

Poemes de Rosa Alice Branco: poesia juvenil portuguesa

La il·lustració és de Flossy-Particles
Rosa Alice Branco és una gran poetessa portuguesa que ens agrada. Diu molt amb molt poc. Us invitem a llegir dos dels seus poemes, en castellà i portuguès.


O ROSTO DA MATÉRIA
(Rosa Alice Branco)
Parece simples
a simplicidade que vem das coisas
e nos encontra a meio do caminho
entre o que nao fizemos
e o que nao faremos.
Também elas percorrem os círculos
do poço em que se afunda
ma boca negra de onde sai a tinta
e espalha a luz do dia
igual á luz da noite.
Tratam-se por tu as coisas
e esta intimidade
flutua no ar do papel
onde crianças voam com as cores
de un papagaio /
pois nao é assim que o vento faz o vento
desde todo o sempre?
Sempre as crianças brincaram com a chuva
corsários da terra enlameada
sujos de uma alegria
que ninguém despe
mas desfaz o tempo e tudo o que pensamos
da simplicidade das coisas.
Essa lama que vive no rosto da criança
é a única matéria do traço
é a limpidez do ar.

El ROSTRO DE LA MATERIA
(Rosa Alice Branco)
Parece simple
la simplicidad que viene de las cosas
y nos encuentra en medio del camino
entre lo que no hicimos
y lo que no haremos.
También ellas rodean los círculos
en que se hunden
la boca negra de donde sale la tinta
y esparce la luz del día
igual que la luz de la noche.
Se tutean las cosas
y esta intimidad
fluctúa en el aire del papel
donde niños vuelan con los colores
de una cometa,
pues no es así que el viento hace el viento
desde siempre?
Siempre los niños jugaron con la lluvia
corsarios de la tierra embarrada
sucios de una alegría que nadie desviste
pero que deshace el tiempo y todo lo que pensamos
de la simplicidad de las cosas.
Ese barro que vive en el rostro del niño
es la única materia del trazo
es la limpidez del aire.


SÓ OS GATOS
(Rosa Alice Branco)
Hoje os gatos não comeram.
Foram-se juntando aos poucos no telhado
e nem a chuva os fez abrir a língua.
Nem a água desaguou a voz, ou os gatos miaram.
Aquelas passadas que só os gatos sabem
afastaram-nos das palavras incisas em mármore
ou no granito deitado. Do plástico florido.
Das flores que a ausência perpetua.
Hoje as campas estão silenciosas
e os gatos com as garras espalmadas contra as telhas,
com o olhar que só os gatos olham,
não sabem ainda se perderam a fé na vida
ou mais na morte. Sentem um nó
inominado na garganta como todos nós.
No cimo do telhado dizem não ao céu.
Querem afirmá-lo de perto.

SOLAMENTE LOS GATOS
(Rosa Alice Branco)
Hoy los gatos no comieron.
Se fueron juntando poco a poco en el tejado
y ni la lluvia les hizo abrir la lengua.
Ni el agua desaguó la voz, ni los gatos maullaron.
Aquellos pasos que solo saben los gatos
los alejaron de las palabras incisas en mármol
o en el granito tumbado. Del plástico florido.
De las flores que la ausencia perpetúa.
Hoy los túmulos están silenciosos
y los gatos con las garras aplastadas contra las tejas,
con la mirada con que solo miran los gatos,
no saben todavía si perdieron la fe en la vida
o aún más en la muerte Sienten un nudo
innominado en la garganta como todos nosotros.
En la cima del tejado le dicen no al cielo.
Quieren afirmarlo de cerca.

7.2.09

A Magia da Poesia. Poetas em miniatura: llibre de poesia infantil

L'editorial 7 Dias 6 Noites, des de Portugal, acaba de publicar el llibre de poesia infantil creada pels xiquets. No es molt freqüent que les editorial s'arrisquen i editen poesia infantil realitzada pels propis xiquets. Aplaudim aquesta iniciativa.
Gràcies a llibres com aquest, plens de creativitat i d'imaginació, els lectors menuts poden gaudir de poemes creats per xiquets com ells i per a ells. Per què les nostres editorials no fan el mateix? Les escoles estan plenes de versos que moltes vegades tan sols apleguen a conèixer els alumnes de la pròpia classe. Tan sols cal remenar un poc i trobem molta i bona poesia feta pels xiquetes i xiquets -sota la batuta màgica dels mestres-. Ens agradaria que es pulicaren. És una magnífica manera de incentivar a la lectura i escriptura de la poesia.
Els poemes són dels alumnes de quart d'Educació Primària d'EB1 de Santa Cruz -Madeira-, sota la coordinació de Teresa Santos. LLegiu l'opinió dels alumnes-poetes i comproveu la importància d'aquest tipus d'edicions:
Joana Carolina, 8 anos
“Adoro escrever e é engraçado fazer textos da nossa imaginação. Mas, principalmente, o que gostei muito neste livro foram os poemas porque desenvolveram a minha escrita"

Ana Vanessa, 9 anos
“Fiquei a saber muitas coisas. Desenvolvi a minha imaginação e a minha escrita ficou melhor, para além de ter passado a gostar de poesia e de fazer poemas”

Maria João, 9 anos
“No futuro quero ser poetisa. Gostei do trabalho, porque permitiu que fosse para o mundo imaginário, o que fez desenvolver a minha criatividade e também escrever melhor"

Ester Gouveia. 8 anos
“Participar neste livro foi uma experiência muito boa, porque passei a escrever melhor e também fiquei a saber mais".

Daniel Sousa, 8 anos
"Tenho vontade de participar em mais experiências destas. Ajudou-me a escrever e ler melhor, para além de ter desenvolvido a minha imaginação"